O ministro André Mendonça, relator das investigações do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, retirou em 1º de setembro de 2026 o sigilo de relatório da Polícia Federal com mais de 200 páginas que contém mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. O material foi extraído do celular de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. Mendonça apontou como caminho inevitável o envio do caso ao plenário da Corte em sessão presencial e pública, com data a ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin. O relator também encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República com prazo de cinco dias para manifestação.
Peritos federais recuperaram 52 arquivos salvos automaticamente pelo aparelho de Vorcaro, mas não obtiveram as respostas enviadas por Moraes, que utilizava modo de visualização única e apagava os conteúdos. Em uma das mensagens, Vorcaro escreve: "Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você". O banqueiro também pede a Moraes que atue junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, para obter auxílio em relação às investigações que o atingiam.
O relatório da PF registra dois contratos firmados entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O primeiro contrato, de janeiro de 2024, tem valor de R$ 129 milhões. O segundo, datado de 12 de maio de 2025, prevê pagamento de R$ 50 milhões. Investigadores localizaram o nome de Alexandre de Moraes nos metadados de minutas de um contrato adicional de R$ 3 milhões mensais. Mensagens apreendidas mostram que Vorcaro determinava tratamento prioritário aos pagamentos feitos ao escritório. A PF também aponta negociação de transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como contrapartida pelo segundo contrato.
Em proposta de delação premiada entregue em maio de 2026, Daniel Vorcaro afirmou ter firmado os contratos com o objetivo explícito de se aproximar do ministro Moraes. O banqueiro negou, no mesmo documento, que tenha ocorrido troca de favores. Em janeiro de 2026, Alexandre de Moraes negou publicamente ter mantido conversas com Vorcaro. As mensagens recuperadas pela PF contradizem essa afirmação. Em setembro de 2026, informações indicam que Vorcaro sinaliza poupar Moraes em eventual nova delação premiada.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, protocolou manifestação em 1º de setembro de 2026 pedindo a anulação da investigação e a consequente extinção da apuração contra Moraes. Para a PGR, compete ao plenário do STF, e não a um ministro isoladamente, investigar seus próprios integrantes. Gonet afirmou ainda que Mendonça sabia que uma ordem dada à Polícia Federal levaria à investigação de Moraes. Em dezembro de 2025, a PGR já havia arquivado representação criminal apresentada contra Moraes e sua esposa por ausência de elementos probatórios.
O caso não traz elementos nas investigações da PF que liguem diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao esquema financeiro do Banco Master. Registros indicam que Vorcaro foi recebido no Palácio do Planalto em ocasião não detalhada nos relatórios. Em 3 de setembro de 2026, Lula classificou o caso como o maior roubo da história do Brasil e pediu investigação sem blindagem de ninguém. O governo federal adota estratégia de distanciamento institucional em relação ao desdobramento do caso no Supremo Tribunal.
Paralelamente, a investigação da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, menciona o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em conexão com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Um informante da Polícia Federal afirmou aos investigadores que Careca do INSS pagava uma espécie de mesada a Lulinha em troca de acesso ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Controladoria-Geral da União convocou esse informante para prestar esclarecimentos. Em agosto de 2026, a PGR concluiu que os elementos reunidos até o momento não comprovam que Careca do INSS tenha efetivamente fechado contratos ou negócios com o governo federal por intermédio de Lulinha. O filho do presidente não foi indiciado. Mendonça autorizou a quebra de sigilos de Lulinha após a PGR se opor à medida em dezembro de 2025, por avaliar que a PF não teria reunido elementos suficientes.
Em 3 de setembro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de decisão e a encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a abertura de investigação contra André Mendonça. O pedido é apresentado no âmbito do Inquérito das Fake News, de relatoria de Moraes desde 2019. O documento aponta indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça durante a condução das relatorias das Operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes baseia-se em relatórios de inteligência da Polícia Federal que analisam a atuação do relator. Fachin determinou, na mesma data, que Mendonça, Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues se manifestem em até cinco dias úteis sobre o quadro institucional gerado.
O desdobramento do caso interfere no cenário político nacional às vésperas de eleições de 2026. A tensão entre ministros do Supremo Tribunal Federal produz efeitos sobre a credibilidade institucional da Corte e sobre a agenda econômica, com impactos em variáveis de mercado financeiro. No cenário internacional, observadores acompanham a evolução do caso como indicador da estabilidade institucional brasileira.
(*) Com informações das fontes: CNN Brasil, MercoPress, Central Sul de Notícias, Jornal Razão, JOTA, Agência Pública, Redator Chefe, Painel Político, O Observador, OCP News, Portal Tela, Ponta de Lança News, Exame, Público, Sergipe Notícias, Gazeta do Povo, G1, O Liberal, Agência Brasil, Metrópoles, Perfil Brasil, Gazeta Mercantil, Revista Oeste, Estado de Minas, Correio Braziliense, Líder Notícias, Bloomberg Línea, BRcom, Notícias R7, Voz Popular e Código 22.