"> A Casa Caiu?

 

Opinião - 01/09/2026 - 23:15:16

 

A Casa Caiu?

Mendonça retira sigilo e expõe vínculos entre Moraes, Vorcaro e o Banco Master

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

Relatório da PF detalha troca de mensagens, contrato de R$ 131 milhões com escritório da esposa de Moraes e encontro em Londres com participação do procurador-geral Paulo Gonet.

Relatório da PF detalha troca de mensagens, contrato de R$ 131 milhões com escritório da esposa de Moraes e encontro em Londres com participação do procurador-geral Paulo Gonet.

O ministro André Mendonça, do STF, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal, decidiu em 1º de setembro de 2026 retirar o sigilo da ação que reúne material da Polícia Federal sobre trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. No mesmo despacho, Mendonça indicou que remeterá o material ao plenário da Corte para análise em sessão pública.

O relatório da PF foi elaborado a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. O método utilizado pela polícia cruza registros de sistema do iPhone: criação de notas, capturas de tela, arquivos PDF residuais gerados pelo próprio iOS e logs de envio pelo WhatsApp, tudo na mesma janela de segundos. A sequência aponta, de forma recorrente, um terminal salvo na agenda de Vorcaro como "Alexandre de Moraes BRASILIA".

Nas mensagens recuperadas, Vorcaro solicita a Moraes atuação junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco. Em uma das comunicações, Vorcaro cita a necessidade de "proteção" para "Andrei" e "Paulo". Em outra mensagem, enviada dois dias antes de ser preso, Vorcaro pergunta a Moraes: "Segunda já tenho que estar fora?". O ex-banqueiro também declara ter uma "dívida de vida" com o ministro.

O relatório da PF aponta oito encontros registrados entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Entre eles, um evento realizado em Londres entre 24 e 26 de abril de 2024: o "I Fórum Jurídico - Brasil de Ideias", com patrocínio de Daniel Vorcaro. Moraes articulou a presença de ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça no evento. No dia 25 de abril de 2024, ocorreu no George Club, em Mayfair, uma degustação de whisky Macallan bancada por Vorcaro, com participação de Alexandre de Moraes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues e do ministro Dias Toffoli. Mensagens recuperadas indicam que Gonet dizia sentir "saudade" de Vorcaro e que o filho de Gonet foi levado a Londres pelo banqueiro.

O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, previa honorários de R$ 131 milhões ao longo de 36 meses, com pagamento mensal de R$ 3,5 milhões. Registros da Receita Federal indicam que o Banco Master pagou R$ 80,2 milhões ao escritório até a liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025. Em mensagens, Vorcaro trata o contrato como o "mais importante" que tinha e afirma que o pagamento não poderia "atrasar um dia".

Metadados do arquivo do contrato, extraídos do celular de Vorcaro, indicam que uma versão do documento foi aberta e modificada às 23h04 de 15 de janeiro de 2024 por um perfil identificado como "Ministro Alexandre de Moraes". O escritório Barci de Moraes confirmou que Moraes teve acesso ao contrato e realizou alterações, sustentando que a participação ocorreu dentro de um procedimento de compliance, antes da formalização do negócio. O próprio escritório admitiu que Moraes foi consultado sobre possíveis impedimentos legais.

Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal em 28 de agosto de 2026, por meio de videoconferência, com duração de quatro horas e vinte minutos. Durante a oitiva, Vorcaro negou categoricamente a existência de atos de corrupção envolvendo servidores do Banco Central. A defesa afirmou que o ex-banqueiro respondeu a todos os questionamentos e externou disposição para prestar esclarecimentos mais amplos por meio de acordo de colaboração premiada. Trata-se da terceira tentativa de Vorcaro de negociar uma delação.

Em 1º de setembro de 2026, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, apresentou manifestação pedindo a nulidade do relatório da PF e a extinção da investigação contra Alexandre de Moraes. Gonet sustentou que Mendonça extrapolou suas atribuições ao determinar que a PF apurasse de ofício, sem pedido do Ministério Público nem iniciativa da própria polícia. O argumento central da PGR é que "ao juiz não cabe acusar". Gonet também destacou que Mendonça não teria competência legal para investigar colega de Corte. Em dezembro de 2025, a PGR já havia arquivado pedido de investigação sobre o contrato da esposa de Moraes com o Banco Master, considerando que não havia elementos de ilicitude.

Paulo Gonet foi designado procurador-geral da República pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2023 e teve seu mandato reconduzido pelo Senado em agosto de 2025. O relatório da PF não traz menção direta ao presidente Lula nas mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. O vínculo político com o Palácio do Planalto se dá por meio da nomeação de Gonet para o cargo de PGR e da proximidade institucional entre o governo e o ministro Alexandre de Moraes, que conduziu processos relevantes para o governo federal no STF.

A decisão de Mendonça de retirar o sigilo ocorre às vésperas das eleições municipais de 2026 e em um cenário de tensão entre as instituições. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, com perdas estimadas em R$ 41 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos. A investigação segue no STF, com previsão de análise pelo plenário da Corte.

Paulo Gonet Branco, PGR

Paulo Gonet Branco, procurador-geral da República, não solicitou diretamente à Polícia Federal que descaracterizasse ou anulasse a investigação. A manifestação de Gonet foi apresentada perante o Supremo Tribunal Federal, em 1º de setembro de 2026, dirigida ao relator do caso, ministro André Mendonça.

Na peça, a PGR pediu ao STF que declarasse a nulidade dos atos que deram origem à investigação sobre Alexandre de Moraes no âmbito do caso Banco Master, bem como a extinção da apuração. Os argumentos centrais foram:

  • Mendonça teria extrapolado suas atribuições ao determinar que a PF aprofundasse a apuração de ofício, sem provocação do Ministério Público nem iniciativa da própria polícia;
  • Não haveria competência legal para um ministro do STF investigar colega de Corte;
  • O princípio de que "ao juiz não cabe acusar".

Anteriormente, em dezembro de 2025, a PGR já havia arquivado um pedido de investigação sobre o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master, entendendo que não havia elementos de ilicitude naquele momento.

(*) Com informações das fontes: CNN Brasil, Painel Político, Jornal Razão, O Hoje, Exame, Terra, g1, Poder360, O Liberal, Metrópoles, Gazeta do Povo, Jornal de Brasília, Band, JOTA, Diário do Poder, Pleno.News, Agência Brasil, Euclides Diário, Correio da Manhã, Revista Oeste.

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