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O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. O eleitorado apto soma 158.745.463 pessoas, segundo dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um acréscimo de 2.291.452 eleitores (1,46%) em relação a 2022. A votação ocorre em 5.571 municípios e em 186 cidades no exterior, em 517.206 seções eleitorais. Do total de eleitores, 89,01% possuem biometria cadastrada. Caso nenhum candidato à Presidência alcance mais de 50% dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Seis candidatos à Presidência apresentam intenção de voto mensurável nas pesquisas estimuladas divulgadas na última semana de setembro e no primeiro dia de outubro: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pela coligação Brasil Pronto pra Mais (PDT, PSB, FE Brasil, PSOL e Rede); Flávio Bolsonaro (PL); Ronaldo Caiado (PSD); Augusto Cury (Avante); Romeu Zema (Novo); e Renan Santos (Missão). Demais candidaturas somam, em conjunto, cerca de 1% das intenções de voto.
Cenário de intenção de voto
| Instituto e data |
Lula (PT) |
Flávio Bolsonaro (PL) |
Observação |
| Datafolha, 1º de outubro |
42% |
38% |
Em votos válidos: 45% x 40%. Segundo turno: 48% x 45% |
| AtlasIntel/Bloomberg, 29 de setembro |
45,3% |
42,2% |
Margem de erro de 1 ponto percentual |
| Vox Brasil, 1º de outubro |
40,4% |
41,2% |
Flávio à frente por 0,8 ponto |
| Real Time Big Data, 1º de outubro |
43% |
39% |
Margem de erro de 2 pontos percentuais |
| Quaest, 28 de setembro |
39% |
34% |
Cury e Caiado com 4% cada |
| Meio/Ideia, 30 de setembro |
39,4% |
38,4% |
Diferença dentro da margem de erro |
Os levantamentos mostram variação entre os institutos, com diferenças que vão de 1 ponto a 5 pontos percentuais entre os dois candidatos no primeiro turno. No segundo turno simulado, os institutos registram distância de 3 pontos percentuais (Datafolha: Lula 48%, Flávio 45%).
A linha do tempo do debate da TV Globo
A TV Globo havia programado o debate presidencial para a noite de 1º de outubro, logo após o Jornal Nacional, com início previsto para as 21h20, mediação do jornalista César Tralli e transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1. O formato previa quatro blocos de perguntas e respostas, sendo dois de temas determinados (preservação da Amazônia, segurança nas fronteiras e combate ao crime organizado, e infraestrutura para exportações) e dois de tema livre. O candidato que formulasse a pergunta teria dois minutos, divididos entre pergunta e réplica; o candidato que respondesse teria três minutos, divididos entre resposta e tréplica.
O critério de convite seguiu a Lei das Eleições e portaria do TSE publicada em julho: são obrigatoriamente convidados os candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Com base nesse critério, a Globo convidou inicialmente Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado. Em 2022, o debate da emissora contou com sete candidatos.
A partir de 29 de setembro, decisões judiciais alteraram sucessivamente a composição e as regras do encontro.
| Data e horário aproximado |
Órgão e ministro |
Decisão |
Efeito imediato |
| Julho de 2026 |
TSE, portaria |
Define convite obrigatório a partidos com pelo menos cinco parlamentares |
Globo convida Lula, Flávio, Cury e Caiado |
| 29 de setembro |
TSE, presidente Kassio Nunes Marques |
Liminar altera o entendimento sobre contagem de parlamentares, passando a considerar a composição atual da Câmara |
Romeu Zema (Novo) é incluído no debate |
| 30 de setembro |
Campanha de Lula |
Comunica à Globo que o candidato não participará |
Lula agenda entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário |
| 1º de outubro, por volta das 19h24 |
TSE, ministra Estela Aranha |
Liminar, a pedido da coligação de Lula, suspende o item 7 da ata do debate, que previa púlpito vazio com placa de identificação e 30 segundos para perguntas ao candidato ausente; aplica multa em caso de descumprimento |
Proibida a exibição do púlpito com nome de Lula e perguntas direcionadas ao candidato ausente |
| 1º de outubro, por volta das 19h24 |
Flávio Bolsonaro (PL) |
Anuncia nas redes sociais que não comparecerá |
Candidato classifica a medida do TSE como censura |
| 1º de outubro, por volta das 19h27 |
STF, ministro Gilmar Mendes |
Liminar determina a inclusão de Renan Santos (Missão), revertendo decisões anteriores do TSE e do próprio STF; o Missão tem um parlamentar no Congresso |
Lista de participantes passa a incluir Renan Santos |
| 1º de outubro, por volta das 20h30 |
TV Globo |
Cancela o debate a menos de uma hora do início |
Emissora exibe capítulo da novela "Quem Ama Cuida" no horário |
A ata com as regras do debate havia sido assinada por todos os partidos convidados, inclusive o PT, cujo advogado, Gabriel Fialho Filho, consta entre os signatários. O item 7 suspendido por Estela Aranha previa que, em caso de ausência, o púlpito do candidato permaneceria vazio com placa identificadora e que, numa rodada de tema livre, os candidatos presentes poderiam formular, em 30 segundos, a pergunta que fariam ao ausente. A ministra, nomeada para o TSE por Lula em julho de 2025, entendeu que a regra tinha potencial para criar desequilíbrio entre os participantes e que a participação em debates é facultativa.
A decisão de Gilmar Mendes incluiu Renan Santos mesmo sem o preenchimento do critério dos cinco parlamentares, contrariando posicionamentos anteriores da ministra Cármen Lúcia e do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que haviam rejeitado pedidos do candidato.
Em nota, a TV Globo afirmou que "as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais". Trata-se do primeiro cancelamento integral de um debate presidencial pela emissora desde que a tradição foi iniciada em 2002. Associações de imprensa, entre elas a Associação Nacional de Jornais e a Associação Nacional de Editores de Revistas, divulgaram nota na qual classificaram a intervenção judicial como agressão à liberdade de imprensa.
A decisão de Estela Aranha também recebeu sustentação jurídica em outra corrente de interpretação: a de que perguntas dirigidas a um candidato ausente não permitem resposta, réplica ou tréplica, e que a exposição visual da ausência poderia funcionar como instrumento de pressão sobre quem exerce o direito de não comparecer. As duas correntes seguem em disputa no ambiente jurídico, sem julgamento em plenário sobre o mérito até a data desta publicação.
Outras decisões judiciais com incidência na campanha
Além do debate, o processo eleitoral de 2026 registrou outras decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE com impacto direto sobre candidaturas e estratégias de campanha.
Em 24 de março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para prisão domiciliar por 90 dias, para tratamento de broncopneumonia, com uso de tornozeleira eletrônica e proibição de celulares e redes sociais. Bolsonaro cumpre pena superior a 27 anos por condenação relativa à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Em 13 de julho de 2026, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, após Flávio ler, em rede social, carta escrita por Jair Bolsonaro com apelo em apoio à sua candidatura. A restrição se estende para além da data do primeiro turno. O ministro entendeu que a leitura configurou desvio de finalidade do direito de visita e violação de medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente. Moraes determinou ainda à Procuradoria-Geral da República investigação sobre eventual propaganda eleitoral antecipada. Em 15 de julho, o mesmo ministro suspendeu por 30 dias as visitas a Jair Bolsonaro e proibiu manifestações político-eleitorais por meio de terceiros até o término das eleições.
Em 16 de junho de 2026, a Primeira Turma do STF, por unanimidade, condenou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo, com pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto e declaração de inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena. O relator foi Alexandre de Moraes.
O STF também enfrenta crise institucional relacionada ao caso Banco Master, banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após investigação da Polícia Federal que apura fraude com valor estimado em R$ 12,2 bilhões. Em 1º de setembro de 2026, o ministro André Mendonça tornou público relatório da Polícia Federal de 218 páginas, elaborado a partir de celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que documenta 187 interações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O relatório indica metadados que sugerem edição, por Moraes, de contrato de até R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Moraes acusa Mendonça de parcialidade e de atuar em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em sessão de 15 de setembro, o plenário do STF não concluiu o julgamento sobre se os casos envolvendo Moraes e Mendonça seriam analisados em conjunto ou separadamente. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo, prazo de até 90 dias, o que pode adiar o desfecho para meados de dezembro, após as eleições. O placar parcial registrava quatro votos por três pela análise separada dos casos. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Mendonça lhe remetesse os autos dos casos Master e INSS, o que levou a Polícia Federal a suspender temporariamente novos pedidos de operação. Em 22 de setembro, o ministro Cristiano Zanin negou liminar que obrigaria o presidente do Senado a instalar Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master. Depoimentos de Vorcaro marcados para o fim de setembro foram adiados. Pesquisa divulgada pela Gazeta do Povo na semana anterior ao primeiro turno registrou que 38% dos eleitores apontam Lula como o candidato prejudicado pela crise envolvendo o STF e o Banco Master, contra 31% que apontam Flávio Bolsonaro. Levantamentos de outros institutos indicam que a crise do STF ocupou espaço central no noticiário sem produzir alteração mensurável na intenção de voto.
Outro ponto de atrito entre STF e TSE envolveu decisões sobre conteúdo a respeito do título de Nossa Senhora Aparecida. O ministro André Mendonça, atuando no TSE, determinou a exclusão de postagens pelas plataformas; o ministro Flávio Dino, no STF, derrubou a ordem. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, registrou reclamação formal sobre o que classificou como indevida sobreposição de competência do STF sobre o TSE.
Normas eleitorais definidas pelo Judiciário Eleitoral
O TSE editou resoluções que regulamentaram todos os aspectos da campanha. O limite de gastos para candidatos à Presidência foi fixado em R$ 133,416 milhões, com acréscimo de R$ 44 milhões em caso de segundo turno. Em decisão unânime de 1º de julho, o Plenário manteve os mesmos tetos de 2022, diante da manutenção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha no mesmo patamar.
A distribuição do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio, definida por resolução do TSE de 25 de agosto, reservou 12 minutos e 30 segundos por bloco para a Presidência, assim distribuídos: coligação Brasil Pronto pra Mais, 5 minutos e 31 segundos; PL, 4 minutos e 20 segundos; PSD, 2 minutos e 2 segundos; Avante, 35 segundos. Foram previstas 980 inserções de 30 segundos ao longo da programação diária.
O calendário final estabeleceu o fim da propaganda eleitoral gratuita em 1º de outubro, assim como o fim dos comícios. Debates em rádio e televisão puderam ser realizados até as 7h de 2º de outubro. Desde 19 de setembro, candidatos não podem ser presos ou detidos, salvo em flagrante delito; para eleitores, a restrição começou em 29 de setembro e vale até 48 horas após o encerramento da votação. O transporte de armas por colecionadores, atiradores e caçadores fica proibido entre 3 e 5 de outubro. A divulgação de pesquisas é suspensa durante o dia da votação e retomada após as 17h.
O TSE também regulamentou o uso de inteligência artificial na campanha, com proibição de conteúdo sintético sem rotulagem e determinação de remoção imediata de deepfakes. Entre 1º de outubro e as 17h de 5 de outubro, fica proibido o compartilhamento de conteúdo gerado por inteligência artificial que use voz e imagem de candidatos ou pessoas públicas.
Contexto macroeconômico e fatores externos
O cenário econômico que envolve o pleito apresenta os seguintes indicadores, segundo IBGE e Banco Central. O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, desacelerando ante a alta de 1,1% do primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 2,0%. O acumulado em quatro trimestres ficou em 1,9%. A agropecuária cresceu 6,8% no ano; a indústria, 1,5%; e os serviços, 1,5%.
O Banco Central reduziu, em setembro, a projeção de crescimento para 2026 de 2,0% para 1,8%, e projetou crescimento de 1,4% para 2027. A inflação medida pelo IPCA acumulada em 12 meses passou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto. A projeção do Banco Central para o IPCA de 2026 é de 5,2%, acima do intervalo de tolerância da meta, que vai de 1,5% a 4,5%. A taxa básica de juros, Selic, está em 13,75% ao ano. A taxa de câmbio considerada no cenário de referência do Copom é de R$ 5,15.
Fatores externos, como o nível das taxas de juros nas economias centrais e o preço de commodities exportadas pelo Brasil, influem na trajetória do câmbio e da inflação e foram citados pelo Banco Central no relatório de política monetária de setembro como elementos de incerteza para o próximo ano.
Análise de tendências
Os dados disponíveis até o fechamento desta matéria indicam três tendências. Primeiro, a disputa presidencial permanece polarizada entre dois candidatos, com intenções de voto que somam entre 77% e 87% das respostas válidas, dependendo do instituto. Segundo, a atuação do Judiciário passou a ocupar espaço central na pauta da campanha, com decisões proferidas em período de até 72 horas antes da votação e com efeitos sobre a composição de debates, a circulação de conteúdos e o contato entre candidatos e familiares condenados. Terceiro, a crise institucional no STF, ligada ao caso Banco Master, encontra-se suspensa por prazo que se estende para além do primeiro turno, sem julgamento de mérito antes da votação. Pesquisas registradas no TSE indicam que o tema não alterou de forma mensurável a distribuição da intenção de voto, mas passou a integrar o discurso de todas as campanhas na reta final.
O índice de rejeição registrado em agosto pela PoderData foi de 48% para Lula e de 48% para Flávio Bolsonaro. O percentual de eleitores que declaram voto definido chegou a 78% em pesquisa BTG/Nexus de agosto, com 86% entre os eleitores de Lula e 82% entre os eleitores de Flávio. A abstenção e os votos brancos e nulos, que somaram cerca de 3% nas pesquisas estimuladas de outubro, permanecem como variável a ser observada no dia da votação.
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1. Limite de gastos de campanha (Portaria TSE nº 449/2026, publicada em 21 de julho de 2026): confirmado, com valor exato.
- 1º turno: R$ 88.944.030,80
- Acréscimo para eventual 2º turno: R$ 44.472.015,40
- Total (dois turnos): R$ 133.416.046,20, ou seja, R$ 133,4 milhões. A grafia "R$ 133,416 milhões" está correta no padrão brasileiro (vírgula como separador decimal), mas recomendo trocar por "R$ 133,4 milhões" ou pelo valor exato para evitar ambiguidade de leitura. Os tetos são os mesmos de 2022, mantidos por unanimidade do Plenário em 1º de julho.
2. Eleitorado apto: confirmado exatamente.
- 158.745.463 eleitores, dado oficial do TSE (consolidado em 20 de julho de 2026).
- Crescimento de 2.291.452 eleitores (1,46%) em relação a 2022, quando eram 156.454.011.
- 517.206 seções eleitorais, 2.641 zonas, 5.571 municípios e 186 cidades no exterior.
3. Projeções do Banco Central (Relatório de Política Monetária de setembro de 2026, divulgado em 24 de setembro): confirmadas.
- PIB 2026: revisado de 2,0% para 1,8%. PIB 2027: 1,4%.
- IPCA projetado para 2026: 5,2% (acima do teto da meta de 4,5%). IPCA 2027: 3,9%.
- IPCA acumulado em 12 meses: recuou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto.
- Selic: o Copom reduziu em 16 de setembro de 14% para 13,75% ao ano.
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(*) Com informações das fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Supremo Tribunal Federal (STF); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Jornal @HORA; Banco Central; TV Globo e g1; CNN Brasil; Exame; VEJA; Poder360; Metrópoles; UOL; Terra; Infobae e EFE; Gazeta do Povo; Correio Capital; Agência Brasil; SBT News; Perfil Brasil; CGN; Jornal Razão; Portal Tela; O Hoje; ZUG; Real Time Big Data; Datafolha; AtlasIntel/Bloomberg; Quaest; Vox Brasil; Meio/Ideia; BTG/Nexus; PoderData.
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