O cenário político-jurídico nacional apresenta movimentações em torno das investigações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, proferiu decisão autorizando o compartilhamento de dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo com a Polícia Federal. O objetivo da medida é subsidiar inquérito federal que apura a possível utilização de recursos públicos, notadamente emendas parlamentares, na produção do longa-metragem.
A investigação federal tramita sob a relatoria de Flávio Dino, no âmbito de procedimentos relacionados à fiscalização e transparência do repasse de emendas parlamentares.
A produtora Go Up Entertainment e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambas ligadas a Karina Ferreira da Gama, estão no centro das apurações. A operação da Polícia Civil paulista, realizada em junho de 2026, investiga supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de acesso à internet em áreas vulneráveis da capital.
A Polícia Federal, por sua vez, investiga se verbas de emendas parlamentares, inicialmente destinadas a projetos do ICB, foram desviadas para financiar o filme "Dark Horse". O deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atua como produtor-executivo do longa-metragem, destinou R$ 2 milhões em emendas ao ICB em 2024. Parte desse valor, cerca de R$ 1 milhão, seria para um projeto de empreendedorismo que, segundo denúncias, não foi integralmente executado, havendo notas fiscais emitidas para o escritório de advocacia do próprio parlamentar e para uma empresa de publicidade ligada à diretoria de outra ONG de Karina Ferreira da Gama.
Além das emendas, há outra linha de investigação conduzida pela Polícia Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura o repasse de aproximadamente R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, para a produção do filme. A transação teria ocorrido após tratativas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República em 2026. A investigação apura se houve contrapartidas ou destinação diversa dos recursos.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem adotado a estratégia de concentrar os debates eleitorais na polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em relação ao caso "Dark Horse", o senador afirmou que as contas do filme já foram prestadas e que considera o assunto encerrado.
O contexto macroeconômico e político do período pré-eleitoral de 2026, marcado por incertezas e investigações, influencia o andamento das campanhas. A articulação de membros do PL com atores políticos internacionais, como as reuniões com o governo dos Estados Unidos e a troca de correspondências com autoridades norte-americanas, também são elementos monitorados pelos órgãos de controle.
(*) Com informações das fontes: Poder360, Folha de S. Paulo, Jovem Pan, PlatôBR, UOL, Correio Braziliense, Senado Federal, CNN Brasil, Vero Notícias, O Bastidor, InfoMoney, Congresso em Foco, O Antagonista, Jota, Brasil de Fato, Veja e ABC do ABC.